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21/01/2020 | ARTIGOS & OPINIÃO
Caiapônia, um pouco de sua história
Caiapônia, um pouco de sua história

 
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Por: SANTIAGO SOARES  
Professor universitário, licenciado em geografia e mestrando no PPGeo da UFJ.
O presente texto é um fragmento da dissertação de mestrado : Assentamentos Rurais e seus efeitos socioespaciais no município de Caiapônia – GO Apresentada em 2019 ao Programa de Pós – Graduação em Geografia (PPGeo – UFG – Jataí – GO). A pesquisa foi realizada com orientação do Prof. Dr. Evandro César Clemente.

O município de Caiapônia, de acordo com o IBGE (2016), localiza-se na microrregião do Sudoeste de Goiás. O referido município foi ocupado no final século XVIII, por grandes levas de mineiros que chegaram acompanhados de seus escravizados e de rebanhos de bovinos e equinos. Estes se estabeleceram na região e se dedicaram à pecuária extensiva, requerendo grandes extensões de terra. Dentre as primeiras famílias estabelecidas, onde atualmente é o município, estão os: Vilela, Goulart e Andrade. (SILVA, 2019). Quanto ao processo histórico de formação do município de Caiapônia, o principal marco foi a construção da igreja em louvor ao Divino Pai Eterno, ainda no final do século XVIII (IBGE CIDADES, 2017).

Com a inauguração da primeira igreja, em louvor ao Divino Espírito Santo, em 1845, surgiram as primeiras edificações; e em 1850 o povoado já apresentava expressivo desenvolvimento. Diante dessa evolução, o povoado passou à categoria de distrito, em 5 de novembro de 1855, pela Resolução Provincial nº 1, ficando pertencendo a Rio Verde. A emancipação de Torres do Rio Bonito deu-se em 29 de julho de 1873, pela Resolução Provincial nº 508, dando-se a instalação oficial do município em 7 de janeiro de 1874. (IBGE, CIDADES, 2017).

Inicialmente, a toponímia do município foi Torres do Rio Bonito (1873 -1911) e depois Rio Bonito (1911-1943). Com o Decreto-Lei nº 8305, de 31 de dezembro de 1943, passou em definitivo a ser chamada de Caiapônia (IBGE CIDADES, 2017). Conforme demonstra Souza (1985), a origem do nome “Caiapônia” relaciona-se aos índios Caiapó, habitantes da região até as primeiras décadas do século XIX. Esta etnia ocupava desde as margens do Rio Araguaia até as margens do rio Paranaíba, principalmente entre os rios Caiapó, Caiapozinho e Rio Claro. Segundo este autor, a descrição da área, foi editada pela primeira vez em 1817 pelo então Padre Manoel Aires de Casal.

Eis a sua descrição da área, editada pela primeira vez em 1817: ‘A Caiapônia deriva o nome da nação, que de tempos imemoráveis ainda a ocupa. Tem ao norte o distrito de Goiás; ao poente a Bororônia, da qual é separada pelo rio Araguaia; ao meio dia a Campânia, de que é dividido pelo rio Pardo; à nascente os rios Paraná, Paranaíba e Anicuns, que a separa, o primeiro da província de São Paulo, os outros distritos do Rio das Velhas. [...] na latitude 17º e um terço, segundo as informações de Urbano do Couto e Francisco de Bulhões. Dão-lhe para mais de 80 léguas norte-sul, e 50 de largura média”. (SOUZA,1985. p. 49).

A ocupação do espaço geográfico do município obviamente encontrou resistência dos índios Caiapó, acarretando em ataques destes contra os colonizadores da região, oriundos principalmente de Minas Gerais. Conforme aponta Souza (1985), os embates foram relatados por diversas vezes na imprensa da época, em especial o Jornal Correio Official, bem como em inúmeros documentos oficiais que solicitavam aporte de tropas e autorização do Governo para realizar incursões para reprimir os nativos que promoviam ataques às propriedades. Do mesmo modo, certamente aconteceram ataques aos índios por parte dos colonos, estes nem sempre relatado nos anais da História. Na atualidade, além do nome, o município não tem outro resquício dos Caiapós, pois não sobrou sequer descendentes da etnia.

REFERÊNCIAS

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. IBGE Cidades, 2017. Não paginado. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/go/caiaponia/panorama. Acesso em: 20 ago. 2017.

SILVA, S. S. Assentamentos Rurais e seus efeitos socioespaciais no município de Caiapônia (Go). 2019. 215 f.: il. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Goiás, Unidade Acadêmica Especial de Estudos Geográficos, Jataí, Programa de Pós Graduação em Geografia, Jataí, 2019.

SOUZA, E. Torres do rio bonito. Brasília, DF: Gráfica Ipiranga, 1985. 158 p.

 

 

 


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