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04/12/2018
ARTIGOS & OPINIÃO
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NILVA MORAES
Professora, Pós-graduada em Língua Portuguesa
 
 

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O ócio, "o não fazer nada" incomoda, mas vale a pena desacelerar a sua vida e a de seus filhos...

Hoje, tornou-se um desafio para um grande número de famílias lidar com o tempo livre, sem literalmente não fazer nada. A causa, além da correria do dia a dia, do estar sempre conectado, é o cérebro que não consegue mais se desacelerar.

É muito comum, ouvir as pessoas dizendo que não conseguem descansar mais. Quem tem filhos pequenos, então, é um desassossego total. Os bebês já não dormem mais como antigamente. E as crianças maiores e adolescentes, também, não conseguem relaxar. Logo que terminam de fazer algo, perguntam "o que vamos fazer agora", " não aguento ficar parado", como se estivessem que ficar o tempo todo fazendo algo, sem pararem um só momento.

Mas a grande verdade é que o ócio, "o não fazer nada", incomoda; muita gente diz. Mas, já está comprovado, cientificamente, segundo pesquisa feita por "Claudia Hammond - BBC Radio 4, que "quando estamos descansando, supostamente não fazendo nada, nossa mente tem a tendência de passear pelos pensamentos, e nosso cérebro acaba ficando mais "ocupado" do que quando está concentrado em uma só tarefa". Diferente do que pensávamos - que parados​, sem fazer uma tarefa específica, nosso cérebro estaria menos ativo.

Mesmo se alimentando, os pequenos, quase bebês, estão vendo um vídeo ou um desenho, e os maiores em frente a TV. Depois da escola, vão para o inglês, a natação, aula de música, ballet ou o judô, ou aula de teatro para aprender a representar. Só param quando dormem.

(Aliás, segundo leituras, nem dormindo pode ser classificado como um momento de não fazer​ nada. Estudos mostram que quando dormimos o nosso cérebro fica fazendo uma verdadeira faxina ou um verdadeira revisão do que foi feito durante o dia. Certamente, é por isso, fazendo uma reflexão bem ingênua, que as mães dizem para os pequenos - "vão dormir que a dor passa". "Amanhã é outro dia''. E tem fundamento mesmo - "nada do que um dia após o outro" para pensarmos melhor sobre algo.)

E o brincar, descontraidamente, o improvisar, o criar ou ficar sem fazer nada...só fica mesmo na teoria. Os brinquedos das crianças são os mais variados e para todos os gostos. Mas com tanta exposição e oferta de estímulos sonoros, visuais, físicos e informativos, eles ficam desestimulados, sem saberem​ com que brincar.

Nada chamam mais a atenção deles, como o iPad, o tablet ou mesmo o celular. "Quero ver vídeo'', diz meu netinho de dois anos e meio. Meu netinho de oito anos, apesar de gostar bastante de fazer seus próprios "inventos", vamos assim dizer, se pergunto: "Que invenção é esta? Logo, ele diz: Do celular, vó". " "Olhe aqui". Vai no youtube e encontra vários vídeos.

Mas, espaço para criar não há, basta copiar. Imagino como fica a sua cabecinha cheia de ideias, que já estão prontas. Por isso, talvez, as crianças estejam tão ansiosas, irritadas e se alimentando menos.

No entanto...em fim, não há "nada melhor do que não fazer nada". Deixar a mente vagar para estimular a criatividade, a produtividade e garantir uma boa qualidade de vida. Dar uma chance para a sua vida e para a criatividade de seus filhos é a palavra de ordem.

 

 

 


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